Velocidade nominal não é produtividade: os indicadores que revelam o desempenho real da impressão

Pessoa analisa indicadores de impressão gráfica em um painel com gráficos e dados de desempenho.

A velocidade máxima de uma impressora é uma informação relevante, mas não basta para determinar quanto uma gráfica consegue produzir, entregar e faturar ao longo de um turno.

Uma máquina pode atingir um número elevado de impressões, folhas ou metros por hora e, ainda assim, apresentar um resultado inferior ao esperado quando passa muito tempo em setup, sofre interrupções frequentes, opera abaixo da velocidade planejada ou gera uma quantidade elevada de material descartado.

Da mesma forma, um equipamento com velocidade nominal menor pode entregar mais produção aprovada quando oferece maior estabilidade, trocas rápidas, menor desperdício e melhor integração com as demais etapas do processo.

Por isso, a produtividade não deve ser avaliada apenas pelo que a máquina consegue fazer em condições ideais, mas por quanto de sua capacidade se transforma efetivamente em material aprovado, vendável e concluído.

O que a velocidade nominal realmente informa

A velocidade nominal indica o potencial do equipamento em condições determinadas pelo fabricante, considerando fatores como configuração, substrato, formato, aplicação e padrão de qualidade.

Esse dado é importante para dimensionar capacidade, comparar tecnologias e avaliar se a máquina pode atender determinado volume. O problema aparece quando ele é utilizado isoladamente para estimar a produção real.

No ambiente industrial, a impressora não opera continuamente na velocidade máxima. A rotina inclui:

  • Preparação de materiais;
  • Troca de trabalhos;
  • Ajustes de registro e cor;
  • Limpeza;
  • Inspeções;
  • Pequenas interrupções;
  • Manutenções;
  • Aprovações;
  • Troca de ferramentas ou componentes;
  • Redução de velocidade em aplicações mais exigentes.

A pergunta mais útil, portanto, não é apenas quantas impressões a máquina pode realizar por hora, mas quanto tempo ela permanece produzindo no padrão necessário e qual volume aprovado entrega ao final do período.

Disponibilidade: quanto tempo a máquina realmente produz

Um turno de oito horas não representa necessariamente oito horas de impressão.

Parte desse período pode ser consumida por setup, falhas, manutenção, espera por materiais, indisponibilidade de arquivos, mudanças de programação ou outras interrupções.

A disponibilidade ajuda a mostrar quanto do tempo planejado foi efetivamente utilizado para produzir.

Uma forma simples de calcular é:

Disponibilidade = tempo de produção ÷ tempo planejado

Se uma máquina estava programada para trabalhar durante 480 minutos, mas permaneceu em produção por 360, sua disponibilidade foi de 75%.

O número, porém, precisa ser acompanhado pelas causas dos 120 minutos perdidos. Uma parada mecânica não deve ser analisada da mesma forma que uma espera por substrato, arquivo, aprovação ou ferramenta.

Entre os dados que podem ser acompanhados estão:

  • Horas programadas;
  • Horas efetivamente produzidas;
  • Quantidade e duração das paradas;
  • Tempo dedicado ao setup;
  • Espera entre trabalhos;
  • Falhas por categoria;
  • Tempo ocioso por falta de recursos.

Sem essa classificação, toda perda pode parecer um problema da impressora, mesmo quando sua origem está no planejamento, na pré-impressão ou no abastecimento.

Desempenho: qual velocidade é mantida durante a produção

Uma máquina pode estar disponível, sem apresentar falhas, mas operar abaixo da velocidade prevista.

Isso pode acontecer por diferentes motivos:

  • Instabilidade de registro;
  •  Dificuldade para manter a cor;
  •  Variações de tensão;
  •  Substratos sensíveis;
  •  Ajustes constantes;
  •  Inspeções frequentes;
  •  Intervenções manuais;
  •  Pequenas paradas;
  •  Limitações do acabamento em linha.

A velocidade máxima do catálogo nem sempre é a melhor referência para avaliar esse desempenho. O ideal é comparar a velocidade real com um valor planejado para aquela aplicação específica.

Um trabalho simples, em material conhecido e com poucos requisitos, pode operar em velocidade superior à de um pedido com mais cores, tolerâncias rigorosas ou substrato complexo.

Por isso, a comparação deve considerar trabalhos equivalentes em aplicação, formato, material e nível de exigência.

Quando a máquina apresenta desempenho adequado em determinadas famílias de produtos, mas perde velocidade em outras, é necessário investigar se o problema está no equipamento, na compatibilidade do substrato, nos parâmetros ou na própria complexidade da aplicação.

Qualidade: quanto da produção pode ser vendido

Produzir rapidamente não gera resultado quando parte do material precisa ser descartada, refeita ou rejeitada.

A produção bruta mostra tudo o que passou pela máquina. Já a produção aprovada considera apenas aquilo que atende aos padrões de qualidade e pode seguir para acabamento, entrega e faturamento.

Uma forma simples de acompanhar esse indicador é:

Qualidade = produção aprovada ÷ produção total

Se uma linha produz 100 mil unidades, mas 5 mil são descartadas, o aproveitamento foi de 95%.

Essa perda pode ocorrer durante o acerto ou ao longo da tiragem por motivos como:

  • Falhas de registro;
  • Instabilidade de cor;
  • Defeitos no substrato;
  • Ajustes inadequados;
  • Problemas detectados tardiamente;
  • Variações entre operadores;
  • Falhas de inspeção.

O custo do refugo não corresponde apenas ao valor do material. Também inclui tinta, energia, mão de obra, tempo de máquina, descarte e eventual reimpressão.

Quanto maior o número de trabalhos e setups, mais relevante se torna o controle dessas perdas.

Produtividade líquida: o que realmente foi entregue

A produtividade líquida pode ser compreendida como a quantidade de material aprovado produzida durante o período total analisado.

Ela permite combinar, em uma única visão prática:

  • Tempo disponível;
  •  Velocidade real;
  •  Perdas;
  •  Qualidade;
  •  Estabilidade;
  •  Quantidade de setups.

Uma fórmula simples é:

Produtividade líquida = produção aprovada ÷ tempo total programado

O tempo total programado deve ser considerado porque setups, paradas e esperas também fazem parte do custo do turno.

Se uma máquina produziu durante seis horas de um período programado de oito, dividir a produção somente pelas seis horas esconderia as perdas das outras duas.

A produtividade líquida pode ser acompanhada em diferentes unidades:

  • Folhas aprovadas por hora;
  • Metros vendáveis por turno;
  • Quilos aprovados por período;
  • Trabalhos concluídos por dia;
  • Margem gerada por hora de máquina.

O importante é utilizar critérios consistentes ao longo do tempo e comparar operações semelhantes.

O impacto do setup

O setup tem influência direta sobre a produtividade, especialmente em operações com muitas trocas, versões e tiragens menores.

Uma definição prática é considerar o setup como o intervalo entre a última unidade aprovada do trabalho anterior e a primeira unidade aprovada do trabalho seguinte.

Esse período pode incluir:

  • Limpeza;
  •  Troca de substrato;
  •  Troca de tintas;
  •  Substituição de chapas ou clichês;
  •  Preparação de cilindros;
  •  Configuração do acabamento;
  •  Ajuste de registro;
  •  Estabilização de cor;
  •  Inspeção e aprovação.

O setup não termina quando a máquina volta a se movimentar, mas quando o novo trabalho começa a gerar produção aprovada.

Acompanhar somente o tempo médio pode não ser suficiente. Também vale observar:

  • Mediana dos setups;
  • Maior e menor tempo;
  • Variação entre operadores;
  • Material perdido por troca;
  • Quantidade de setups por turno;
  • Tempo até a primeira aprovação.

Em uma operação com muitos trabalhos curtos, reduzir alguns minutos em cada troca pode gerar um impacto superior ao ganho obtido com maior velocidade durante a tiragem.

Produção aprovada por turno

A produção aprovada por turno é um dos indicadores mais fáceis de acompanhar e interpretar.

Ela mostra quanto material vendável a operação entregou depois de considerar setups, paradas, velocidade real, perdas e retrabalho.

Para tornar a comparação mais justa, o gestor também deve observar:

  • Número de trabalhos concluídos;
  •  Quantidade de trocas;
  •  Complexidade das aplicações;
  •  Volume bruto produzido;
  •  Volume aprovado;
  •  Horas extras;
  •  Trabalhos transferidos para o turno seguinte.

Um turno dedicado a uma única tiragem longa não pode ser comparado diretamente com outro que realizou várias trocas, formatos e materiais.

A análise deve ser segmentada por famílias de produtos e tipos de operação.

Custo por trabalho concluído

A produtividade só se transforma em resultado quando também é relacionada ao custo.

Uma máquina pode imprimir rapidamente e, ainda assim, apresentar custo elevado por trabalho quando possui:

  • Setups demorados;
  • Alto desperdício;
  • Manutenção frequente;
  • Consumo elevado de materiais;
  • Baixa ocupação;
  • Retrabalho;
  • Grande dependência de mão de obra;
  • Etapas externas ou terceirizadas.

O custo por trabalho pode considerar:

  • Substrato;
  • Tinta;
  • Chapas, clichês e consumíveis;
  • Tempo de setup;
  • Tempo de impressão;
  • Mão de obra;
  • Energia;
  • Perdas;
  • Manutenção;
  • Acabamento;
  • Descarte;
  • Terceirização.

O objetivo não é simplesmente calcular qual máquina imprime mais rápido, mas qual configuração entrega o melhor custo por produto aprovado e concluído.

Uma tecnologia com maior automação pode reduzir intervenções e tempos de troca. Uma linha integrada pode eliminar movimentações entre equipamentos. Uma máquina de alta velocidade pode ser extremamente competitiva em tiragens longas. O resultado dependerá sempre do perfil dos pedidos.

A impressão pode ser rápida e o pedido continuar atrasado

A produtividade da impressora não representa necessariamente a produtividade da operação completa.

Depois da impressão, o trabalho pode precisar passar por etapas como:

  • Corte;
  • Rebobinamento;
  • Laminação;
  • Aplicação de verniz;
  • Dobra;
  • Vinco;
  • Colagem;
  • Inspeção;
  • Embalagem;
  • Expedição.

Se essas etapas não acompanham o ritmo da impressão, o material começa a se acumular.

Nesse caso, a máquina apresenta boa produtividade isolada, mas o número de pedidos concluídos permanece baixo.

Por isso, além de medir a produção aprovada na impressão, a gráfica deve acompanhar o tempo entre o início do setup e a liberação final do produto.

Esse indicador ajuda a mostrar se a operação está entregando rapidamente ou apenas transferindo o trabalho para a fila seguinte.

Exemplo: duas máquinas com velocidades diferentes

Considere um exemplo hipotético de duas impressoras operando durante um turno de oito horas, com quatro trabalhos e três trocas.

A Máquina A possui velocidade nominal de 20 mil unidades por hora. A Máquina B chega a 16 mil.

À primeira vista, a Máquina A parece claramente mais produtiva.

No entanto, considere as seguintes condições:

Máquina A

  • Velocidade nominal: 20 mil unidades por hora;
  • Tempo total de setup: 150 minutos;
  • Outras interrupções: 50 minutos;
  • Tempo efetivo de impressão: 280 minutos;
  • Aproveitamento da produção: 95%.

Máquina B

  • Velocidade nominal: 16 mil unidades por hora;
  • Tempo total de setup: 60 minutos;
  • Outras interrupções: 20 minutos;
  • Tempo efetivo de impressão: 400 minutos;
  • Aproveitamento da produção: 98%.

Ao final do turno, a Máquina A entregaria aproximadamente 88,7 mil unidades aprovadas. A Máquina B, embora nominalmente mais lenta, produziria cerca de 104,5 mil unidades aprovadas.

O exemplo não demonstra que uma máquina mais lenta é necessariamente melhor. Ele mostra que a velocidade isolada não permite concluir qual equipamento será mais produtivo.

Em uma operação com tiragens longas e poucas trocas, a Máquina A poderia apresentar vantagem. Em um ambiente com grande variedade de pedidos, a redução dos setups e das perdas pode favorecer a Máquina B.

A escolha depende do perfil real da produção.

Quais indicadores acompanhar

Para avaliar o desempenho de maneira mais completa, a gráfica pode reunir um conjunto simples de indicadores:

  • Disponibilidade da máquina;
  • Velocidade média real;
  • Tempo médio e mediano de setup;
  • Produção aprovada por turno;
  • Material descartado por trabalho;
  • Percentual de retrabalho;
  • Quantidade de interrupções;
  • Custo por trabalho concluído;
  • Tempo até a liberação final do produto;
  • Margem gerada por hora de máquina.

O objetivo não é criar um painel excessivamente complexo, mas substituir percepções isoladas por dados consistentes.

A análise também deve considerar períodos suficientes para absorver variações de demanda, materiais, produtos e sazonalidade.

A melhor tecnologia depende do perfil da produção

Velocidade nominal continua sendo um critério importante. Em muitas aplicações, especialmente em grandes tiragens, ela exerce influência direta sobre o custo unitário e a capacidade produtiva.

No entanto, sua importância precisa ser analisada em conjunto com disponibilidade, setup, estabilidade, qualidade, acabamento e custo.

Uma máquina de alta velocidade pode ser a alternativa ideal para determinada operação. Em outra, uma solução com maior automação, flexibilidade e menor tempo de troca pode gerar um resultado econômico melhor.

A tecnologia mais produtiva não é necessariamente aquela que apresenta o maior número na ficha técnica, mas a que transforma mais tempo disponível em produção aprovada, vendável e rentável.

A Rotatek Brasil atua de forma consultiva na análise de volumes, aplicações, substratos, acabamentos e necessidades produtivas, ajudando gráficas e convertedores a identificar a configuração mais adequada para cada operação.

Fontes

ISO 22400-1:2014 — Key Performance Indicators for Manufacturing Operations Management https://www.iso.org/standard/56847.html

ISO 22400-2:2014 — Definitions and Descriptions of Manufacturing KPIs https://www.iso.org/standard/54497.html

OEE Factors: Availability, Performance and Quality https://www.oee.com/oee-factors/

OEE Calculation: Definitions, Formulas and Examples https://www.oee.com/calculating-oee/

Six Big Losses in Manufacturing https://www.oee.com/oee-six-big-losses/

Speedmaster XL 106 — Heidelberg https://www.heidelberg.com/XL106

HEIDELBERG Customers Set New Productivity Records with Speedmaster XL 106 https://www.heidelberg.com/us/en/about_heidelberg/press_1/news_overview/press_release_53888.jsp

Boosting Productivity and Minimizing Waste — BOBST https://www.bobst.com/na/en/industry/flexible-packaging/solutions/boosting-productivity-and-minimizing-waste

smartGPS — Graphic Positioning System https://www.bobst.com/eu/en/products/ci-printing/smartgps

VISION M1 Inline Flexo Press — BOBST https://www.bobst.com/eu/en/products/inline-flexo-printing/vision-m1

Workforce and Automation in Postpress Production — Heidelberg https://www.heidelberg.com/global/en/print_and_packaging/industries_and_applications/commercial_production/commercial_news_1/workforce_and_automation_in_postpress/workforce_and_automation.jsp

Determining ROI and Profit Opportunities in Wide-Format Printing https://www.printing.org/docs/default-source/default-document-library/journal/gfx-14-2-determining-roi.pdf

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